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NARCISISMO PARENTAL: CRESCENDO EM UM LAR CRUEL

NARCISISMO PARENTAL

NARCISISMO PARENTAL
Série Mad Men

O QUE É NARCISISMO?

Antes de compreender o narcisismo parental, precisamos falar um pouco sobre narcisismo.

Nosso primeiro amor é por nós mesmos.

Com pouco tempo de vida, o bebê aprende a obter prazer com seu próprio corpo, e percebe o mundo como uma extensão de si mesmo, que satisfaz suas necessidades e desejos.

O bebê se sente o máximo! Percebe-se ideal, perfeito!

É a chamada plenitude narcísica.

Mas esse status de não-conflito não dura muito. Com o tempo, o bebê vai percebendo que o mundo é independente dele, e não existe para servir a suas necessidades e desejos.

Isso acontece quando um “terceiro” elemento é introduzido em sua relação “eu-mundo”. Como a função de “mundo” costuma ser prioritariamente exercida pela mãe, a percepção desse intruso leva o bebê a ver que não é tudo o que a mamãe espera da vida. Mamãe tem outros interesses, outras ocupações, outros amores…

Em resumo, a partir de então, a criança vai aprendendo a amar o outro. O sentido inicial desse amor é a busca de um retorno àquela perfeição narcísica anterior.

No entanto, se a realidade externa é fonte de sofrimento e trauma, esta relação de segurança e amor pelo outro pode não se formar.

O outro só pode ser amado se possibilitar formas de prazer e satisfação. Quando a realidade é frustrante, a tendência é desprender-se do outro, aniquilá-lo psiquicamente.

Fixações narcísicas têm origem nesse momento precoce de nossa vida.

Falei mais sobre esse tema em artigo anterior, que você pode ler aqui ➡ Você sabe por que “Narciso acha feio o que não é espelho”?.

O QUE SIGNIFICA CRESCER SOB NARCISISMO PARENTAL?

Pessoas que cresceram com cuidadores narcisistas costumam carecer de autoconfiança e segurança. O narcisismo cria cuidadores indisponíveis afetivamente, o que pode levar a criança a “engolir” seus próprios sentimentos, tornando-se incapaz de reconhecê-los ou admiti-los.

Do ponto de vista psicopatológico, narcisismo grave em um dos cuidadores pode resultar no chamado “Transtorno de Estresse Pós-Traumático Complexo” TEPT-c.

No TEPT-c, o sujeito vivencia alguns sintomas do TEPT, mas tem sintomas adicionais, como sentir-se muito diferente de todas as pessoas, ter raiva e desconfiança generalizadas contra o mundo, sentir-se vazio e inútil etc.

Neste texto, discuto um de seus sintomas mais importantes, os flashbacks emocionais.

NARCISISMO PARENTAL

O QUE SÃO FLASHBACKS EMOCIONAIS?

Flashbacks emocionais não são lembranças. Nos flashbacks, perde-se a temporalidade. O indivíduo não está lembrando o que aconteceu; a sensação é de estar vivendo a situação traumática novamente.

Ou seja, flashbacks são o renascimento da experiência traumática emocional.

Flashbacks emocionais variam em função da intensidade e das emoções que provocam, como medo, dor e desespero, e não costumam deixar de acontecer até que se faça o tratamento adequado.

O primeiro passo para recuperar-se do abuso / negligência do narcisismo parental é reconhecer e aceitar o que aconteceu. Só depois disso será possível compreender todas as consequências emocionais para o(a) filho(a).

Ganhar autoconsciência aumenta a autoconfiança. A aceitação de si mesmo, com pontos fortes e vulnerabilidades, ajuda a diminuir a frequência dos flashbacks.

Por sua vez, reconhecer flashbacks ajuda a validar suas emoções e lembrar que o passado se foi, e não pode mais machucá-lo.

narcisismo parental

LIDANDO COM FLASHBACKS EMOCIONAIS

– Flashbacks emocionais transportam o sujeito a uma porção atemporal da psique. Ali, ele se sente indefeso, sem esperança, em perigo, como se sentia na infância. Mas são sentimentos e sensações antigos, que concretamente não podem mais machucar;

– Pessoas e situações na vida adulta podem funcionar como “gatilhos” para flashbacks emocionais. Se isso está acontecendo, vale a pena repensar. Ninguém precisa aceitar situações desconfortáveis, emocionalmente tão desgastantes;

– Dirija-se a sua “criança interior” de modo carinhoso e acolhedor. Ela já sofreu demais, não a acuse. Não perca a paciência com ela. Seja pai/mãe de si mesmo. Hoje você é um adulto e tem mais recursos para se proteger;

– O medo e o desespero podem entorpecer e dissociar. Exercícios de respiração, atividade física, boa alimentação, sono adequado e lazer ajudam a controlar as reações corporais negativas dos flashbacks;

– Cuidado com seu “crítico interno”. A vivência de críticas severas na infância pode desenvolver uma autocrítica exagerada;

– Flashbacks são oportunidades para liberar sentimentos não expressos. Permitir-se sofrer tem uma importante função psíquica;

– Cultive relações que possam servir como suporte seguros a você como você é. Comunique seus amigos sobre seus flashbacks;

– Identifique as situações (lugares, pessoas, assuntos) que desencadeiam seus flashbacks;

– Compreenda os flashbacks como oportunidade para descobrir as experiências que você precisa curar de seu passado. Flashbacks também mostram suas necessidades não atendidas atuais.

– Seja paciente. A recuperação leva o tempo que leva.

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