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O Processo de Enfrentar o Luto

Lidar com perdas é difícil. Lidar com a perda de um ente querido costuma ser mais penoso.

Numa sociedade como a nossa, em que as manifestações emocionais são tantas vezes abafadas com banalidades como “não chore” ou “tente não pensar nisso”, o desafio é ainda maior.

O luto é um processo privado e pessoal – cada pessoa lida com ele à sua maneira. Porém, algumas atitudes são pertinentes para a maioria de nós.

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Permita-se sentir

Provavelmente a parte mais simples e mais difícil do processo de luto.

A perda é dolorosa e, quanto maior o apego, maior a ferida. Muitas vezes, aprendemos a reagir a situações de dor por meio da fuga e da negação. Afinal, se está doendo e incomodando, por que continuar sentindo?

Porque, infelizmente, experimentar essas emoções é essencial para a cura. Sem o processamento de emoções relevantes, ficamos presos no  trauma da perda, o que nos leva à dor crônica.

The Dead Mother and Her Child (1901), Edvard Munch.

À medida que nosso sistema nervoso é ativado pelas ameaças emocionais de perda e luto, nosso cérebro começa a vasculhar as memórias armazenadas para encontrar uma explicação para o que aconteceu. Esse mecanismo tem uma função adaptativa de sobrevivência, mas pode tomar conta do sistema e sustentar sentimentos negativos, reforçando-os e intensificando-os.

Mesmo que a perda possa evocar dor, raiva, frustração e tristeza, nossas emoções naturais devem ser sentidas e experimentadas. Negar essas emoções não é sinônimo de paz; ao contrário, cria uma falsa sensação de segurança que nos distancia da aceitação e da superação.

Falar com pessoas em quem você confia, fazer um diário ou simplesmente manter-se introspectivo pode ser útil. Segurar as lágrimas não as faz desaparecer, apenas as leva mais fundo.

Tente encontrar sentido na perda

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Helen’s Tears from The Flower Book (1905), Edward Burne–Jones.

Significados são essenciais à vida humana, por isso procuramos por eles em muitos lugares. Em momentos de perda não é diferente. Tentamos responder à pergunta “por quê?”.

Podemos culpar a nós mesmos, aos outros, e até mesmo à existência em geral. A fé em um mundo transcendental muitas vezes preenche esse vazio, mas só para quem realmente acredita.

Encontrar sentido em meio ao sofrimento é difícil, mas necessário.

O significado pode ser encontrado em ocorrências cotidianas. Não há necessidade de procurar “grandes momentos”. Trata-se de encontrar valor e sentido na vida de quem se foi e na própria, pois o valor cria significado. A parte complicada não é necessariamente encontrar sentido na morte, mas encontrá-lo na vida.

Mantenha seus entes queridos “vivos”

Usando as palavras de Sir Terry Prattchet, “ninguém está realmente morto até que as ondulações que causaram no mundo morram.”

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The Sick Child I (1896), Edvard Munch.

Encontrar maneiras de manter uma pessoa “viva” depois que ela se vai é outra boa maneira de lidar com o luto. Embora muitas vezes se diga que as pessoas vivem em nossas memórias, pensamentos e orações, é possível pensar na situação de um modo um pouco mais tangível.

Nossos entes queridos se tornam parte de quem somos. Fomos transformados por eles e pelas interações que com eles tivemos; e quanto mais significativa a interação, maior seu impacto. Assim, o falecido continua a viver em nossas ações, comportamentos cotidianos e conquistas.

Honrar nossos entes “à nossa maneira” pode significar que, a cada uma de nossas ações, damos a eles vida. Celebramos suas vidas por meio da nossa.

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Somos lembrados de nossa própria mortalidade quando experimentamos a morte de um ente querido. Por isso, lidamos com o luto de forma reativa – a certeza da morte pode ser assustadora.

Por isso, é compreensível que escolhamos não pensar ou discutir isso. Contudo, reconhecer e expressar é sempre o melhor caminho para a superação.


RECADO PARA VOCÊ

A pandemia tem afetado o bem-estar de muita gente.

Ansiedade, estresse, medo e pessimismo estão entre os incômodos mais comuns.

Estudos preveem que esses sintomas podem trazer consequências negativas até muito tempo depois que a pandemia terminar.

Portanto, se você não estiver se sentindo bem, procure apoio psicológico.

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