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Autossabotagem: seus medos podem estar limitando você

Palavras-chave: autossabotagem; medos; análise funcional

Por Psicólogo Rodrigo Giannangelo | Publicado em 16 de agosto de 2022


Uma das estratégias que psicólogos usam para compreender comportamentos é a “análise funcional” — descobrir qual a função ou propósito daquele comportamento na vida psíquica do paciente.

Afinal, não fazemos coisas aleatoriamente — nossos comportamentos e hábitos existem por uma razão. Muitas vezes, essa razão pode não ser consciente, mas está lá.

Esse é nosso ponto de partida para entender a autossabotagem: não importa quão autodestrutiva seja uma atitude, ou o quanto queiramos nos livrar dela, precisamos admitir que ela tem uma função em nossa vida psíquica.

Muitas vezes, essa função é uma tentativa de evitar que enfrentemos nossos medos.

Dentre a infinidade de medos possíveis, alguns parecem ter relação mais estreita com a autossabotagem. Por exemplo, o terapeuta estadunidense Corey Wilks fala sobre os “Quatro Cavaleiros do Medo”. O grupo inclui medo do fracasso, medo do ridículo, medo da incerteza e medo do sucesso.

Evitamos coisas que nos aterrorizam. No entanto, quanto mais evitamos os “Cavaleiros”, mais nos afastamos das coisas que nos fazem crescer.

Assim, embora o medo tenha função adaptativa para nossa espécie, pois nos protege do perigo, pode se tornar desatualizado. Para crescer, temos que entender a autossabotagem a partir de uma análise funcional.

autossabotagem

Procrastinação e autossabotagem

Quanto mais ocupado você é, mais produtivo. Certo?

Você passa o dia mantendo sua “caixa de entrada” de e-mails vazia. Gasta tempo apagando cada pequeno incêndio que aparece.

Surgiu uma nova ideia que parece promissora? Você vai atrás dela imediatamente, e deixa as outras tarefas inacabadas.

Será que o problema é a procrastinação? Pense de novo.

Realizar uma análise funcional sobre a procrastinação pode produzir resultados interessantes. A maioria dos procrastinadores crônicos que conheço é perfeitamente capaz de cumprir todas as suas obrigações quando estão diante de um prazo determinado ou uma data limite.

A real questão é: o que a procrastinação está lhe ajudando a evitar?

Talvez sejam os “cavaleiros” sussurrando: “Se você nunca terminar, nunca correrá o risco de falhar ou de ter sucesso”.

Perfeccionismo, Síndrome do Impostor e Autossabotagem

O perfeccionismo e a chamada ‘síndrome do impostor’ são dois lados da mesma moeda — a sensação de que você ainda não é bom o suficiente. De que você não está pronto, não é qualificado. De que é melhor esperar até aprender mais ou se sentir mais confiante.

Há quanto tempo você está pensando ou mexendo naquele projeto, mas ainda não o enviou? Você já pensou em todos os cenários possíveis e criou o plano aparentemente perfeito, mas ainda não tomou os passos para ir da ideia à execução? Há quanto tempo você escreve algo, mas ainda não publicou?

Seu problema talvez não seja a produtividade. O medo, sim.

Os “cavaleiros” sussurram: “Se você não se expuser, nunca correrá o risco de ser ridicularizado ou falhar”.

Complacência e autossabotagem

Há pessoas que preferem a mediocridade conhecida a enfrentar os riscos por uma vida melhor. Somos indivíduos de hábitos. Somos atraídos pelo que podemos prever. A incerteza assusta.

Por isso, escolhemos o caminho onde há menos resistência. Trancamos nossos sonhos e objetivos em uma caixa e jogamos a chave fora.

Aceitamos um trabalho insatisfatório, mas que oferece salário fixo. Passamos 30 a 40 anos de nossa vida chateados, ansiosos pelo dia em que nos aposentaremos e poderemos finalmente “aproveitar a vida”. Então, se tivermos sorte, chegamos aos 60-65 anos, nos aposentamos, desfrutamos de alguns anos de saúde e morremos por volta dos 75-80.

Sacrificamos metade de nossa vida para aproveitar os últimos 15 anos, porque a alternativa de nos aventurarmos no desconhecido é aterrorizante.

Os “cavaleiros” sussurram: “enquanto você ficar em sua zona de conforto, estará a salvo”.

Concluindo

Você se torna mais consciente em relação à autossabotagem conhecendo os medos que levam a ela. Comportamentos aparentemente sem sentido podem ser compreendidos como tentativas de adaptação que, na verdade, só estão impedindo você de viver mais plenamente.

Assim, é possível desenvolver meios de superar suas limitações.


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